A relativa felicidade humana, a partir de Schopenhauer - Ciclos - Espaço Terapêutico
A relativa felicidade humana, a partir de Schopenhauer

Costumo dizer que a psicologia nasceu do encontro e união entre a filosofia e a medicina.  Deste modo, trata-se de uma ciência que busca base nas reflexões e pensamentos dos grandes filósofos de todas as épocas, para agregar valor e prospectar possibilidades para o tempo oportuno, para nosso presente.

Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), foi um filósofo alemão que contribuiu no século XIX ao convite de reflexões sobre a vontade e grau de liberdade de escolha do ser humano.  Muitos o consideram pessimista.  O considero lúcido por um motivo muito especial:  Parte de sua vida, dedicou ao estudo e compreensão do pensamento oriental, passando a escrever que o sofrimento faz parte da vida.  O pensamento ocidental do final do século XIX e durante todo o tecnicismo e pragmatismo do século XX o consideraram “pessimista” por negar nossa ilusão de controle sobre nossos pensamentos, sentimentos e tudo o que passamos na existência.  Neste texto, passearemos pela noção de Schopenhauer sobre a RELATIVA felicidade humana...

Boa leitura!

Daniela Favaro

 

A relativa felicidade humana, a partir de Schopenhauer 

Autora: Daniela M. Fuschini Favaro

 

“A relativa felicidade tem três origens:

O que se é,

O que se tem,

O que se é para os outros.”

Arthur Schopenhauer

 

  

Schopenhauer sugere que nos fixemos apenas no primeiro item: o que se é, não em Ter e no que os outros pensam de nós, afirmando que estes dois últimos representam forte PRISÃO para o ser humano.

 A relativa felicidade no que “se tem”:

 Quando depositamos nossa relativa felicidade humana no que achamos TER, Schopenhauer alerta:  cuidado, pois tudo o que achamos possuir, acaba nos possuindo.

Tenho a juventude... ela será retirada e com o simples passar do tempo.

Tenho a beleza, enquadro-me nos padrões do belo em minha época... será modificada também através da passagem do tempo e trata-se de um dado subjetivo que soma-se a outros fatores que não são apenas orgânicos.  A estética é um tema complexo.

Tenho saúde... estar saudável é um estado transitório que pode modificara-se a qualquer tempo, frente a condições externas ou internas.

Tenho dinheiro, ou propriedades... os bens materiais são produções dos sistemas sócio-econômicos, diferentes de tempos em tempos e de culturas em culturas.   

Se morrer amanhã:  qual o sentido de tudo o que acumulou? Faz diferença na sua partida? Ou apenas para quem fica?

Se morrer amanhã, o que de fato TINHA em sua bagagem? O que leva desta existência?

 A necessária aprendizagem da TRANSITORIEDADE de tudo o que existe e o exercício do DESAPEGO.  Compreender este fluxo da existência possibilita uma série de conquistas nos momentos necessários.

 Não somos, mas sim estamos.  Não TEMOS NADA, mas sim estamos.

Então, não depositemos nossa relativa felicidade humana no que achamos possuir, para que não acabe nos possuindo.  Tente quebrar as primeiras ilusões de controle.

 

Não podemos confundir a AQUISIÇÃO com a ESSÊNCIA. 

 

 Sobre a outra fonte de relativa felicidade humana:  o que parecemos ser para os outros.

 Schopenhauer nos faz refletir que esta perspectiva de origem de felicidade passaria pela autoimagem, a busca de ser visto, apreciado e aceito pelo outro, que geraria autoestima.  Em nosso tempo de redes sociais, sabemos o quanto as pessoas inflam a dimensão egóica de relacionamento social a partir de visualizações, curtidas, compartilhamentos ou número de seguidores.  Tempos de confusões entre as relações na dimensão real e virtual.  Tempos de angústia se não alcançamos visibilidade. 

Depositar nossa relativa felicidade no que parecemos ser aos outros cria esta armadilha:  tarefa absolutamente impossível dimensionar a imagem que CADA PESSOA faz de mim.  Atribuir minha relativa felicidade a este feedback é criar a própria prisão e decretar a sentença perpétua de depender da confirmação externa para sentir que existo.

 

Não podemos confundir a VISIBILIDADE com a ESSÊNCIA. 

 

A verdadeira origem da felicidade humana:  O QUE SE É.

 Schopenhauer sugere que nossa atenção se detenha apenas na busca e compreensão do que SE É em essência.

 Quais meus valores? Quais características essenciais me definem... de forma contundente... que se eu deixasse de perceber, ou se retirassem de mim, simplesmente me descaracterizariam?

 Como expresso estes valores no mundo? Em minhas atitudes, decisões, recusas, buscas, relacionamentos (pessoais, profissionais, amorosos).

 Se houver coerência entre meus valores e atitudes no mundo, ENCONTRAREMOS A FELICIDADE.

 Se houver incoerência entre meus valores e atitudes no mundo, NOS DEFINIREMOS INFELIZES, ou passaremos pelos vazios existenciais descritos na Logoterapia de Viktor Frankl. 

 Reflita sobre sua essência, sobre seus valores que precisa atuar no mundo.  E, assim, encontrará sua FELICIDADE.

 

 Sobre a autora:

Daniela M. Fuschini Favaro é psicóloga, especialista em Logoterapia aplicada à educação, gestora da CICLOS – Espaço Terapêutico e atua com psicoterapia para adolescentes e adultos, orientação profissional, assessoria em psicologia escolar e educacional, cursos e supervisão.  Integra o corpo docente da pós gradução do IECVF de Ribeirão Preto de Logoterapia aplicada à educação.

 

 

 

 

 

                                                                                                                   

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