Que PAI/MÃE eu posso ser... - Ciclos - Espaço Terapêutico
Que PAI/MÃE eu posso ser...

Educar é uma arte que precisa de 4 ações que chamamos de 4 Cs: 

CONSTÂNCIA (sim... falaremos mais de uma vez!)

COERÊNCIA (reflexões, causas e consequências precisam estar alinhadas, fazer sentido)

COESÃO (todos precisam falar a mesma linguagem - pai, mãe, avós, tios, cuidadores, escola...)

COMBINADOS (regra de ouro com crianças a partir de 3 anos de idade). 

Depois, o que mudará será a linguagem adequada para cada estágio de desenvolvimento do filho.  Neste texto de Natalia Delmonde, um convite para conhecermos os TIPOS DE FAMÍLIAS e que relações são produzidas em cada estilo, que resultam diferentes posicionamentos frente à vida e aos desafios a partir da adolescência.  Importante compreender  estas possibilidades e traçar ações desde a infância para, deste modo, futuramente nos relacionarmos com pessoas autônomas, responsáveis e felizes.  

Boa leitura!!

Daniela Favaro

 

QUE PAI/MÃE EU POSSO SER...

Autora:  Natalia Delmonde

Quando nos tornamos pais e mães assumimos muitos compromissos, sendo o ato de educar o maior deles. Falamos muito sobre educação e como fazer isso da melhor forma, existem milhares de revistas, livros e teorias que apoiam as diferentes ideias e tendências - basta procurar e encontraremos na literatura algo que condiz com nossas ideias e ponto de vista

Mas as perguntas essenciais para este processo seriam: O que pensamos? Quais são NOSSAS ideias? O que queremos para nossos filhos? Acho que concordamos todos que queremos vê-los felizes, que se desenvolvam em sua plenitude e potencialidade e que saibam fazer escolhas com autonomia.

Simples!  Não é?

Nem sempre... principalmente quando nosso filho tem um ataque de raiva no supermercado, quando briga com um colega ou transforma as tarefas escolares em uma batalha da Terceira Guerra, a lista pode ser gigantesca e com ela vem a pergunta:  – Onde errei???

Quando falamos em educar crianças e adolescentes nunca pensamos em erros, mas sempre em tentativas de acerto, pois em todos os anos que acompanho e oriento famílias NUNCA ouvi pais dizendo que fizeram algo para não atingir determinados objetivos ou que não tiveram sucesso por premeditarem isso, SEMPRE QUEREMOS ACERTAR... o que às vezes não acontece.

Há estudos que trazem pontos importantes para o começo de uma reflexão sobre o comportamento das crianças e adolescentes, um convite para uma análise honesta do nosso próprio comportamento em relação aos nossos filhos. A psicóloga Renata Cafardo, publicou em 2005 uma pesquisa mostrando características de quatro estilos de famílias - e os tipos de adolescentes construídos nestas situações ambientais.  Confira neste breve resumo:

 As Famílias Negligentes são aquelas que não colocam regras e limites e também não demonstram afeto,

Incidência: correspondem a 39% dos pais (a maior porcentagem encontrada nas famílias pesquisadas), são aqueles que demonstram claramente que tem pouco tempo para cuidarem dos filhos, porque sempre haverá outras coisas mais importantes que os ocupam, ou acham que futuramente recuperarão o tempo perdido, ou algo também muito comum, que o filho se virará com os recursos disponibilizados para ele.

Justificam sua ausência pela falta de TEMPO.  Acreditam que basta terceirizar as necessidades do filho a OUTROS - como a escola, psicólogo, psicopedagogo, avós, babás, etc.

Consequências: Diante de tamanha invisibilidade aos olhos dos pais, a criança/ adolescente se abandona também, uma vez que sente ser INSIGNIFICANTE aos olhos das pessoas mais importantes. Adolescentes de famílias negligentes podem morar nos melhores condomínios, estudar nas melhores escolas, mas relatam que não possuem valor e se colocam em situações de risco tirando notas baixas, ferindo-se, desenvolvendo doenças ou  mal comportamento.

As Famílias Permissivas são os pais-amigos, onde temos poucas regras e limites (gerando intolerância à frustração e baixa resiliência) e muito envolvimento afetivo na vida dos filhos.  Incidência: representam 15% das famílias que na maioria das vezes sentem-se sempre sobrecarregados, por isso cedem aos pedidos dos filhos. Importante: pais permissivos esperam que os professores, a escola, os amigos também cedam a tudo para seu filho ser feliz – ou seja, que o mundo adapte-se a ele.

Justificam as atitudes e situações sempre colocando como NORMAL para aquela faixa etária, não trazendo as reflexões importantes do acontecido, afirmando que querem os filhos FELIZES, Consequências: Este afeto sem regras pode passar facilmente para uma superproteção, onde a criança/adolescentes aprende que pode tudo, na hora que quer. O fato é que para os filhos esse ambiente - a longo e médio prazo - pode acabar como um barco sem rumo, gerando INSEGURANÇA e baixa auto-estima, uma vez que tiveram poucos parâmetros, não sendo estimuladas e desafiadas para vida.   A partir de seu modelo afetivo, ESPERAM que na escola, no clube, na profissão, nas amizades, nos relacionamentos, na vida... quem o amar fará tudo o que desejar.  Dado que isso não acontecerá, encontramos aumentados índices de sofrimento emocional que pode se enquadrar em diversos quadros clínicos. 

As Família Autoritárias são opostas à anterior, podemos chamá-los de “linha-dura”,

Incidência: são os menos numerosos, abarcando 12% dos pais que colocam muitas regras e limites e pouca disponibilidade afetiva.

Justificativa:  Toda a RIGIDEZ e ameaças desse estilo de pais tinha a intenção de gerar proteção e segurança, mas muitas vezes o excesso de firmeza e onipotência acaba criando distanciamento por que não existe diálogo na relação pais-filhos.

Consequência: Ambientes autoritários potencializam nos filhos sempre achar tudo perigoso, tem dificuldades com desafios, porque nada do que fazem é bom o suficiente para os pais, o que provoca duas situações distintas: a APATIA – eles nem tentam, porque acreditam que não vão atingir o que os pais esperam ou o PERFECCIONISMO (chegando à ganância) – buscam incessantemente atingir o que os pais esperam.

Já as Família Participativas são aquelas que estão disponíveis e se envolvem na vida dos filhos, tanto na construção das regras e limites quanto afetivamente.

Incidência: Estes pais representam 34% segundo a pesquisa e são comprometidos com o FAZER JUNTO com os filhos; planejam, dividem e colaboram uns com os outros formando uma equipe/time/família onde avaliam os resultados, incentivam progressoS e reconhecem problemas buscando SOLUÇÕES POSITIVAS E COLABORATIVAS. Filhos de pais participativos apresentam maior índice de autoestima, auto eficácia, habilidades sociais e otimismo, apresentam maior desempenho nas atividades e se arriscam mais por que sabem que possuem uma REDE para apoiar suas decisões, e no geral são mais felizes.

Tomar o caminho da PARTICIPAÇÃO é mais difícil por que demanda envolvimento, trabalho constante dos pais em ajustar o binóculo para cada situação e para cada filho. Manter uma postura assertiva nas nossas falas, não deixar que nossas emoções falem primeiro, escutar, ponderar e refletir são mecanismos de atuação parental que levam tempo para serem construídos, principalmente quando não viemos de ambientes facilitadores e não temos estes comportamentos em nossos outros relacionamentos. Mas, como sempre digo para os pais que atendo em consultório, as crianças/adolescentes SEMPRE nos dão oportunidades de reparar os nossos “erros”, por que a vida em família é repleta de situações diárias que nos OPORTUNIZA estas mudanças.

Este texto pode ser o INÍCIO de uma reflexão mais profunda, que como pais podemos fazer para aprimorar nossa experiência com os nossos filhos, para que o desejo de felicidade para nossas crianças e adolescentes seja construída seguida também de AUTONOMIA, CORAGEM E CRIATIVIDADE para serem o melhor que podem ser!

 

Dica de leitura: 

Livro:  Meu filho chegou à adolescência... E agora?

Autor:  Leo Fraiman

Editora:  Integrare

 

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