O doloroso processo de separação conjugal - Ciclos - Espaço Terapêutico
O doloroso processo de separação conjugal

A Terapia de casais é um processo interessante: procurado em momentos de crise, sua função é ajudar as partes a ouvirem e compreenderem melhor as disfunções, necessidades e desenvolvimentos necessários para maior qualidade de vida relacional. Ao final, ficarmos juntos se conseguirmos ficar BEM. Nos separarmos se disso precisarmos para ficarmos BEM. Se tiverem filhos, um aviso: um casamento saudável precisa de muito DIÁLOGO. Uma separação saudável precisa AINDA MAIS de consensos e diálogos. Portanto, este texto de nossa terapeuta de casais, Lilian Lofego, traz reflexões importantes sobre as fases que podem anteceder uma separação. Um dos sentidos de CRISE é "quebra" - podendo representar a mudança de uma fase de dificuldade para alguma de maior desenvolvimento, ou o começo de uma nova rotina de vida.

Boa Leitura!
Daniela Favaro

O DOLOROSO PROCESSO DE SEPARAÇÃO CONJUGAL 

Autora:  Lilian Lofego

Há um crescente número de separações conjugais nos dias atuais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para cada quatro casamentos acontece uma separação.

Será que esse aumento se deve à desvalorização do casamento?

O que observamos na prática clinica não é isso, a valorização do casamento e a importância da união estão muito presentes no cotidiano das famílias.

Mas o casamento implica na construção de uma nova identidade, eu-conjugal, essa interação será uma construção permanente entre os cônjuges. A partir do momento que decidem morar juntos, o casal passará por modificações e reorganizações a fim de se adquirir um novo modo de funcionamento.

Nesse caminho de construção, demandas importantes são vivenciadas e muitas vezes insatisfações vão aparecendo e esses sentimentos vão ganhando força em casais com pouco recurso de conversação.

Existem alguns comportamentos dentro do casamento que podem sinalizar que o relacionamento precisa de atenção. A socióloga Diane Vaughan descreve as fases de desgaste no casamento que podem servir como apoio para observarmos nossas relações:

#1 - Fase do segredo, diz respeito aos pensamentos de um dos cônjuges sobre separação, o pensamento começa a ter relevância, mas o outro não sabe. O cônjuge insatisfeito começa então a dar pistas de seu descontentamento, sugerindo mudanças no outro, nos aspectos físicos e comportamentais, incentivando o outro a retomar tarefas abandonadas, entre outras.

#2 – Aparecimento das queixas, quando a pessoa insatisfeita começa a se queixar do outro, comentando sobre atitudes que trazem irritação, essas queixas podem acontecer no convívio particular e no público.

#3 - A fase da transição começa a ser sentida quando o cônjuge descontente passa a evitar o outro. Pode ocorrer negligência em relação aos filhos, observação da vida dos não-casados, busca de novas amizades e consequentemente os compromissos familiares começam a ficar insatisfatórios.

#4 - A incerteza marca a fase dos sentimentos ambivalentes, onde o cônjuge descontente alterna sentimentos de infelicidade e a culpa, oscilações de humor começam a ficar mais presentes e o outro começa a perceber a crise, mas quer acreditar que é passageira.

#5 - O confronto diz respeito à fase onde já não é mais possível controlar os sentimentos, então podem acontecer explosões – que pode vir depois de alguma atividade sem o companheiro, nesse momento o cônjuge descontente passa a acreditar que não pertence mais àquele ambiente, nesse momento pode haver o pedido de separação.

#6 - A reconstrução: nesta fase o casal troca acusações e revira o passado; o cônjuge que não quer o divórcio começa a fazer tentativas de resgate, mostrando em que ainda acredita. Nesse momento pode acontecer tentativas de reconciliação, que vão desde mudanças de hábitos e aparência à chantagem emocional.

#7 - A separação acontece quando as tentativas surtem efeito contrário ao desejado, quando o processo de mudança irrita mais que aproxima, nesse momento há o início do processo de separação.

A separação é uma das experiências mais dolorosas que o ser humano pode passar. Trata-se de um processo complexo, que possui diferentes etapas: vivenciar um processo de separação é vivenciar uma experiência de morte em vida, pois o outro precisa morrer dentro de mim, isto é, precisa haver uma nova reconstrução do eu, agora do conjugal para o individual.

Lidar com a dor do rompimento não é uma tarefa fácil, mas torna-se necessária e terapêutica. Todo este processo de sofrimento prepara a pessoa para um novo relacionamento, compreendendo que aquele tempo não foi perdido e que muita coisa pode se tirar da experiência de um relacionamento conjugal.

A terapia de casal e família pode ser pensada como uma oportunidade de olhar diferente para o funcionamento das relações, observar fraquezas e disfuncionalidades, de forma a entender e possivelmente melhorar as relações, o diálogo, a compreensão das necessidades, a fim de obter uma relação saudável e funcional.

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