Codependência nos relacionamentos - Ciclos - Espaço Terapêutico
Codependência nos relacionamentos

Cada vez mais as pessoas encontram dificuldade na hora de diferenciar vínculo, relacionamento e posse.

Situação comum: conhecer uma pessoa, “ficar” - se pintar um clima -, começar a conversar pelas redes sociais, estabelecer uma frequência e vivenciar o drama de não conseguir estabelecer a qualidade desta relação. Neste momento, passamos a ouvir nas sessões de terapia a angústia sobre inseguranças no estabelecimento de vínculo e grande dificuldade de conversar com a outra pessoa sobre o relacionamento; por fim encontramos demonstrações de posse e controle em formatos variados - desde a invasão da privacidade alheia, sabendo senhas do celular ou redes sociais, até cenas fortes de desconfiança em brigas repetitivas que geram vários tipos de desrespeito. Virou tabu falar de relacionamento, mas o encontro promove o vínculo e a continuidade deste configura um relacionamento mesmo quando não nomeamos um status específico. A falta de clareza gera desgastes, situações desnecessárias que podem gerar padrões neuróticos (cristalizados), de ilusões de controle ou posse camuflada de amor, dedicação e cuidado.

Neste texto você está convidado a conhecer mais sobre os perfis e padrões encontrados em quadros de CODEPENDÊNCIA e, ao final, reflexões importantes sobre a qualidade das relações.

Que este texto promova diálogos verdadeiros em relacionamentos reais!

Boa Leitura!
Daniela Favaro

CODEPENDÊNCIA NOS RELACIONAMENTOS 

Autora:  Daniela M. Fuschini Favaro

Se você já passou por um relacionamento em que padrões de brigas se repetiram e foi difícil de entender o que sentia ou por que demorou tanto para interromper e finalizar, você pode ter passado por uma relação de CODEPENDÊNCIA. Muitas vezes os relacionamentos passam por fases de maior desgaste ou então o ciclo da relação se encerra mesmo. Em relações saudáveis, a saída é encontrada a quatro mãos: quando o casal consegue pontuar os desconfortos, expor as diferenças de opinião e chegar a consensos.

Em relações de CODEPENDÊNCIA, momentos de crises são alimentados com situações em que um faz o outro sentir-se culpado, ou inseguro, fragilizado, abandonado.

Vamos começar com a definição de CODEPENDÊNCIA: Dificuldade ou inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo. Pode ocorrer em relações de amizades, ou entre familiares, ou em relacionamentos (namoros, casamentos).

Este termo é muito utilizado na análise e terapia de adictos de álcool / drogas e seus familiares, mas neste texto o enfoque será a codependência em relacionamentos.

No trabalho psicoterapêutico, percebemos alguns perfis emocionais no relacionamento de CODEPENDÊNCIA:

Perfil 1

O Sufocado: sofrimento intenso por não conseguir expressar o que sente e do que precisa no processo de relacionamento, gerando passividade e a permanência em relacionamentos abusivos - quando o outro é muito agressivo verbalmente, emocionalmente, fisicamente, ou crítico – depreciando constantemente a pessoa, diminuindo-a com comentários pejorativos ou exercendo controle de comportamentos e atitudes.

Perfil 2

O Fragilizado: este perfil é construído no decorrer da CODEPENDÊNCIA, conforme a pessoa sente não conseguir viver sem a outra, seus cuidados, atenção, conselhos ou palpites. Esse perfil sente sempre ser a plateia da vida de outras pessoas. Seus principais comportamentos:

# Insegurança – precisa da opinião constante de pessoas que julga mais fortes e confiantes.

# Paralisação – em situações diversas sente-se paralisado para pensar, analisar e decidir algo em sua vida.

# Vitimização – há consciência sobre o sofrimento que a relação acarreta, mas não consegue enxergar saídas para se posicionar frente ao outro. Sofre, queixa-se para si mesmo ou para outras pessoas, mas não age.

# Comprometimento de autoestima – a autoimagem fragilizada constrói um círculo vicioso: buscando fortalecimento em figuras fortes, que sendo também controladoras e codependentes, resultam em maior rebaixamento de autoestima. A sensação é de constante insuficiência e incompetência para tomar suas decisões e resolver seus problemas.

Perfil 3

O Controlador: há várias formas de exercer controle em uma relação. A base desta atitude afetiva é fazer-se necessário e suficiente para o outro, o que geralmente camufla uma necessidade de que o outro precise dele. Há várias formas e estilos de controle, sendo alguns de natureza sutil e camuflada:

# Super gentileza: quando alguém é demasiadamente gentil, disponível e sorridente, causa empatia. Mas, quando isso vira uma super gentileza que o leva a atuar nas relações fazendo-se necessário e imprescindível ao outro, torna-se uma forma de controle sutil. Expressa-se na pessoa que dedica um excesso de elogios ao outro, ou que se antecipa para atender a uma necessidade coletiva ou individual antes de ser solicitado. Tende sempre a fazer-se necessário e, quando outras pessoas possuem o perfil mais fragilizado ou inseguro, resulta em padrões de CODEPENDÊNCIA. Demonstra forte irritação ou frustração quando a outra pessoa adquire qualquer tipo de autonomia ou independência – pois para este codependente, ser útil ao outro é sua base de relacionamento.

# O destrutivo: demonstra excesso de críticas depreciativas ao outro, fazendo-o sentir constantemente que não acerta em atitudes, opiniões e decisões. Muitas vezes este excesso de crítica revela um desejo de cuidar do outro, para que ele não sofra ou se frustre. Mas o efeito final é que este “cuidado” destrói a outra pessoa.

# O sedutor: Em um primeiro momento faz o outro se sentir a pessoa mais especial do mundo. No decorrer da relação, a todo momento instala o desespero na pessoa codependente ao direcionar sua atenção e elogios a outras pessoas – do convívio do codependente, ou não. O efeito é um controle pela sedução: uma constante sensação de possibilidade de “perda” da pessoa sedutora.

CAUSAS DA CODEPENDÊNCIA:

A pessoa codependente geralmente diz SIM quando desejaria dizer NÃO. Deixa de entrar em contato com suas necessidades e projeta um ideal de relacionamento: como se ao agradar o outro ou cuidar de suas necessidades, fosse possível acessar maior “controle” sobre o relacionamento.

Este é outro dado importante na base da CODEPENDÊNCIA: ter / perder a pessoa amada.

Relacionar-se não significa ter o outro! Então, como podemos perder algo que nunca tivemos?

A FELICIDADE da pessoa codependente reside no relacionamento com a outra pessoa.

Portanto, a primeira causa da codependência é uma autoimagem fragilizada, que busca o outro para suprir suas necessidades ou o que julgar ser insuficiente.

Há autores que baseiam esta tendência a relações de falta de atenção e diálogo desde a base familiar ou em famílias com excesso de atenção, quando a pessoa constrói uma noção de ser amada quando o outro gira em torno dela – portanto, os dois extremos são nocivos à saúde emocional. A invisibilidade dentro da família pode levar a uma maior resiliência quanto a relacionamentos abusivos, desde que a pessoa demonstre que precisa dela em sua vida. O excesso de atenção pode gerar o desejo de sentir-se amado apenas quando prontamente atendido - podendo levar a comportamentos mais controladores.

COMO CUIDAR DA CODEPENDÊNCIA:

Autoconhecimento: Conhece-te a ti mesmo! Muito importante permitir-se um período suficiente para ficar desacompanhado, entrar em contato com seus pensamentos, sentimentos e necessidades. Estabelecer o que tem para oferecer o que espera de um relacionamento.

Comunicação: Desenvolver sua ASSERTIVIDADE - ser positivo, afirmativo em seus posicionamentos; ser capaz de pontuar o que está desconfortável ou o que pensa diferente, com clareza e argumentos que preservem o relacionamento e desencadeiem um diálogo verdadeiro com o outro.

Passar a limpo: Há algumas construções e projeções afetivas encontradas nos padrões de CODEPENDÊNCIA. Muitos pacientes codependentes relatam medo de sentirem-se sozinhos. Também é comum a imagem de que relacionar-se significa ser suprido pela outra pessoa em todas as suas necessidades, como se a busca pelo relacionamento estivesse intrinsecamente relacionado ao outro fazê-lo feliz. Estes paradigmas são as bases das procuras afetivas e precisam ser revisitados e compreendidos sob outras perspectivas. Importante: caso não consiga localizar estes aspectos, pode ser positivo fazer uma psicoterapia. Este processo implica em rever sua autoimagem e autoestima.

Empatia: Estabelecer empatia implica em cadenciar olhar o outro e também sentir-se visto.

A empatia leva às bases de um relacionamento saudável: RESPEITO E CONFIANÇA.

Respeito em relacionamentos se traduz em: na sua presença, ou ausência, não farei nada que possa magoá-lo.

Confiança: confio plenamente que você também me respeitará.

Sem estes dois pilares – respeito e confiança – não há relacionamento viável.

Muitas vezes a codependência é autojustificada pela pessoa, mas ainda assim há o receio e a angústia durante o relacionamento. Em muitos casos de brigas repetitivas e cristalizadas, após a iminência de término, o casal se reaproxima trocando juras e promessas de que tudo será diferente, ou que aquilo tudo só aconteceu por gostar do outro, ou importar-se com ele. Mas, muitas vezes o que ocorreu foi desrespeito, agressão, violência ou tentativas de controle ou coação.

Há vários questionários disponíveis em sites para você compreender melhor padrões de codependência.

As perguntas a seguir servem para identificar possíveis padrões de codependência. Não é um teste psicológico!

Apenas um check list para você refletir sobre alguns aspectos importantes.

1 - Você se sente responsável por outra pessoa? Seus sentimentos, pensamentos, necessidades, ações, escolhas, vontades e bem estar?

2 - Você sente ansiedade, pena e culpa quando outras pessoas têm problemas, a ponto de não conseguir fazer outras coisas próprias até o outro estar bem?

3 - Você se flagra constantemente dizendo “sim” quando quer dizer “não”?

4 - Você vive tentando agradar aos outros ao invés de agradar a si mesmo?

5 - Você vive tentando provar aos outros que é bom o suficiente?

6 - Você tem medo de falhar “com o outro”? Tem reações intensas quando a situação o deixa impotente?

7 - Você tem medo de expressar suas emoções de maneira aberta, honesta e apropriada? Acredita que se assim o fizer ninguém vai amá-lo?

8 - Você vive ajudando as pessoas a viverem? Acredita que elas não sabem viver sem você?

9 - Você tolera abuso para não perder o amor de outras pessoas?

10 - Você tem a tendência de repetir relacionamentos destrutivos?

11 - Você ignora os seus problemas ou finge que as circunstâncias não são tão ruins?

12 - Você procura se manter ocupado para não entrar em contato com a realidade?

13 - Você tem dificuldade de identificar o que sente? Tem medo de entrar em contato com seus sentimentos como raiva, solidão e vergonha?

14 - Você tenta controlar eventos, situações e pessoas através da culpa, coação, ameaça, manipulação e conselhos, assegurando assim que as coisas aconteçam da maneira que você acha correta?

SOME O TOTAL DE RESPOSTAS "SIM".

Se o resultado for superir a 7, procure ajuda para um psicodiagnóstico mais completo e uma psicoterapia para buscar suas causas de codependência.

Para quem deseja saber mais:

Uma das autoras mais renomadas nesta área é Melody Beattie.

Há vários títulos em português.

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