Papo sério: Cutting na adolescência - Ciclos - Espaço Terapêutico
Papo sério: Cutting na adolescência

Neste texto, a autora nos traz informações completas e importantes para conhecermos melhor este fenômeno que acontece em maior incidência em meninas, com idade entre 12 e 17 anos. Cutting refere-se ao ato de cortar-se intencionalmente para tentar deslocar a sensação interna de angústia. Foi traduzido como Transtorno de Auto Mutilação e precisa ser compreendido em todos os detalhes que este texto nos leva a pensar... incluindo sintomas, motivações, consequências e o mais importante: como podemos ajudar se for um amigo, ou aluno da escola ou um familiar. Texto precioso que inaugura nossa linha de textos destinados à fase da adolescência: PAPO SÉRIO.

Boa Leitura!
Daniela Favaro

PAPO SÉRIO: CUTTING NA ADOLESCÊNCIA

Autora: Maria Aparecida Fuschini Alaggio

O que é cutting?

Literalmente, em inglês, significa o ato de cortar. Alguns autores traduzem este termo em português para Auto Mutilação. Na análise de comportamento, é um fenômeno observado pela psicologia e psiquiatria em quadros onde a pessoa procura formas de se cortar, sendo considerado um transtorno mental, que pode se apresentar em diferentes quadros dentro da avaliação psiquiátrica, dependendo da intensidade e frequência deste comportamento no paciente. É importante reconhecê-lo como um transtorno mental que precisa de atenção e cuidado através da avaliação de profissionais qualificados. Não pode ser encarado como algo simples, como nos mostra este blog.

Por que acontece?

Este comportamento começa como uma forma de “escape” para “aliviar a tensão ou angústia”. Quando nos machucamos e sentimos dor, nosso cérebro libera neurotransmissores para “socorrer a dor” - endorfinas. Este neurotransmissor é uma substância que, ao ser liberada em excesso, pode causar dependência. Este é o dado mais preocupante: o que começa como um comportamento inofensivo, VICIA!

O transtorno de auto mutilação é um dos problemas mais graves desenvolvidos por adolescentes sob pressão e que apresentam baixa autoestima. Muitas vezes começa como “moda” (leia no blog sobre o que aconteceu com a cantora e atriz Demi Lovato) mas é um comportamento que precisa ser levado a sério pelas suas consequências.

Depoimentos de quem pratica Cutting:

A maioria dos pacientes relatam que “se cortam para aliviar uma sensação ruim”, alegando sentir raiva de si mesmo ou de outros, angústia, sensação de vazio, tristeza. Estes comportamentos podem começar a partir de influências através de filmes, vídeos na internet ou seriados. Segundo especialistas, a adolescência é uma fase de experimentação, de modo que ver alguém se cortando pode fazer o mesmo, seguindo estas atitudes como se fosse uma moda, mas este comportamento deve ser visto como uma demonstração de grande tristeza.

Como e com que idade começa a acontecer?

As principais características do transtorno, normalmente começam em torno dos 12 ou 13 anos de idade, com pequenos cortes superficiais, feitos pelo próprio adolescente em locais do corpo que possam ficar escondidos sob a roupa. A região dos braços é o local mais comum. Há maior frequência deste comportamento em mulheres. Quem pratica o “cutting” não quer que os pais saibam, mas quanto mais cedo o transtorno for tratado, maiores serão as chances desta prática não se repetir. É importante ressaltar que a intolerância à frustração, autoestima rebaixada, ansiedade e depressão também são fatores que podem levar o jovem a essas práticas. Alguns adolescentes praticam o “cutting” como forma de imitação ou para inserir-se em um grupo de jovens já praticantes.

Pode ser visto como uma tentativa de suicídio?

Não. Há uma grande diferença entre praticar o cutting e a ideação suicida. Porém estamos falando de uma automutilação, uma autolesão que deixará marcas físicas e emocionais, podendo virar uma compulsão (comportamentos que fazemos contra nossa vontade consciente). A pessoa que se fere desta forma sabe que não vai morrer por causa deste ferimento, mas ainda não sabe que este comportamento pode comandá-la de um ponto em diante.

Tratamento

Envolve dois profissionais: médico psiquiatra– que prescreverá o medicamento para diminuir a compulsão do comportamento, causada pelo círculo vicioso de desejar cortar-se para sentir o alívio da liberação de endorfina – e psicólogo – atendimento muito importante, pois na psicoterapia serão identificados os fatores que levaram o paciente a iniciar este círculo vicioso. Na psicoterapia aprendemos a lidar com o que nos angustia, nos entristece e todas as emoções com as quais ainda não sabemos lidar. Em um processo psicoterápico podemos analisar a impulsividade, aumentar a autoestima, melhorar a autoimagem, a forma de relacionar-se com as pessoas e as habilidades de resolução de problemas e superação de conflitos.

Como posso ajudar um amigo que se utilize do cutting?

Esteja próximo. Converse sobre o assunto e garanta que esta pessoa não está sozinha! Se sua escola tiver uma relação bacana entre professores, coordenadores e alunos, procure um adulto para pedir ajuda ao amigo. Se esta pessoa for de sua família, basta muito acolhimento e disponibilidade para conversar sobre o que está difícil.

Não precisamos nos machucar para crescermos e sermos felizes!!!

Quem consegue se relacionar com as pessoas não pratica cutting... Quem pratica cutting está pedindo ajuda!

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