A necessária parceria terapêutica com os pais - Ciclos - Espaço Terapêutico
A necessária parceria terapêutica com os pais

Este texto de Rafaela traz um tema importante e complexo: o alcance e limite da função da psicoterapia com crianças e adolescentes a partir do grau de parceria estabelecida com a família. Muitas vezes o sintoma é algo do desenvolvimento ou elaboração de conteúdos do filho; outras vezes, o sintoma é um reflexo de situações familiares, suas inter-relações e estilos ou dificuldades de comunicação. Qual a contribuição da figura do psicoterapeuta? – ser um mediador para a compreensão do que acontece, fornecer aos pais uma ampliação da leitura dos comportamentos ou comunicações deste filho. Também validar o que é negociável ou inegociável nos valores de educação desta família. Portanto, o psicoterapeuta passa a ser o porta voz e o articulador destas compreensões para os pais e os filhos. O resultado deste processo será uma relação mais assertiva, clara, consciente e autônoma.

Boa Leitura!
Daniela Favaro

A NECESSÁRIA PARCERIA TERAPÊUTICA COM OS PAIS

Na psicoterapia de crianças e adolescentes a participação e parceria com os pais é fundamental. Esta acontece a partir do convite na interlocução com o terapeuta para a compreensão das fases de desenvolvimento, formas de interpretar a linguagem dos sintomas ou comportamentos para então ser possível traçar consensos e estratégias que levem a uma superação da demanda terapêutica. O desenvolvimento e as necessidades da criança e do adolescente estão diretamente relacionados aos pais, por isso, é de extrema importância que eles se comprometam com o processo para que haja uma melhora no processo de comunicação entre a família e desenvolvimento de consciência e autonomia.

Em muitos casos o atendimento fica comprometido porque frente a mínimas melhoras quanto ao pico de conflito que trouxe a família ao atendimento, os comportamentos de atrasos significativos no horário da sessão ou faltas recorrentes começam a sinalizar o que chamamos de “esvaziamento da demanda inicial”. Porém, após um breve período, os comportamentos ou dificuldades voltam a acontecer. Motivo: as compreensões não atingiram a estrutura do que causava o desconforto, divergência ou dificuldade. Famílias que voltam apenas quando a situação fica insustentável e somem frente às primeiras melhoras apresentam uma demanda de “brigada de incêndio”: parece que a função da psicoterapia é apenas apagar focos de conflitos.

Um grande diferencial na orientação de pais é a percepção de que os responsáveis estão abertos às intervenções do psicoterapeuta e trazem conteúdo da rotina familiar para a sessão, a fim de discutir tanto os comportamentos dos filhos quanto expectativas e condutas dos pais em relação aos mesmos. A maneira como cada pessoa e família lida com os obstáculos do dia-a-dia é muito particular e a transmissão disso para o psicoterapeuta é um norteador que contribui para a eficácia do tratamento.

Em alguns casos percebemos que os pais querem “terceirizar” o resultado do tratamento somente ao psicoterapeuta; isso é um erro pois somos todos parte do processo – família, paciente, psicoterapeuta. Essa parceria é necessária para que a tomada de consciência e mudança da demanda comece a surgir e assim os pais também terão o suporte do psicólogo para reavaliar seus papeis dentro da dinâmica familiar.

Aos pais, vale lembrar que ninguém é perfeito. Com o desenrolar de nossas vidas enfrentaremos vários obstáculos. Tentem fazer o melhor de vocês, se entreguem e estejam atentos aos comportamentos e sinais de seus filhos, se apesar disso persistir alguma dificuldade, um profissional poderá ajudá-los exatamente no que precisarem de auxílio. Não tenham receio em pedir ajuda.

Por fim, convido vocês a refletirem sobre essa frase:

“Quem nada faz, por nada responde.

Promessas podem ser lançadas ao vento e palavras não supõem responsabilidade.

O que realmente possui mérito é a ação prática, são os resultados.”

Içami Tiba ( in Pais e educadores de alta performance)

Para quem deseja saber mais:

TIBA, Içami - Pais e educadores de alta performance. Integrare: São Paulo. 2011

ZAGURY, Tânia - Filhos: Manual de instruções. Record: São Paulo. 2011

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