Sobre o Transtorno de Espectro Autista (TEA) - Ciclos - Espaço Terapêutico
Sobre o Transtorno de Espectro Autista (TEA)

Neste texto, Rafaela Rimério diferencia fatores fundamentais que caracterizam um quadro de suspeita de componentes de Autismo.  Até o início dos anos 1990, as hipóteses sobre a origem do autismo apontavam apenas a relação de vínculo entre a mãe e o bebê - fortemente baseados nos princípios psicanalíticos e a partir da dificuldade da criança em estabelecer contato visual, contato físico em geral, o que acarretava em dificuldades severas na comunicação e linguagem.  Com os avanços da neurociência, hoje sabe-se que as origens destes quadros estão ligados ao neurodesenvolvimento:  nascemos com uma quantidade inicial de células neurais em nosso cérebro que passam por processos de migração e expansão típicos nos primeiros anos de vida.  Conforme cartilha emitida pela OEA – Organização dos Estados Americanos (2010, p. 29-30), durante a etapa pré-natal e a primeira infância, o cérebro produz muitos mais neurônios e conexões sinápticas de que chegará a necessitar, como uma forma de garantir que uma quantidade suficiente de células chegue a seu destino e que conectem-se de forma adequada. No entanto, para se organizar, o sistema nervoso programa a morte celular de vários neurônios (apoptose) e a poda de milhares de sinapses que não estabeleceram conexões funcionais ou que “já cumpriram sua tarefa”. As sinapses que envolvem “neurônios competentes e ativos na rede” são as que permanecerão e a funcionalidade de cada um destes circuitos neuronais é o que nos permitirá aprender, memorizar, perceber, sentir, mover-nos, ler, somar ou emitir, desde respostas reflexas até as mais complexas análises relacionadas à física quântica.  A linguagem e comunicação também passa por sinapses e por estas fases de especialização neuronal. Sabe-se hoje que o cérebro dos autistas possui em média 10% a mais de conexões sinápticas e ligações neurais que o cérebro de um não autista.  Estudos recentes demonstram que a apoptose não destativou alguns caminhos de informações que afetam principalmente as capacidades de empatia com o ambiente.  

Enfim, a ciência descartou a hipótese anterior de disfunção afetiva na relação materna, que gerou culpa e dificuldades em gerações de familiares de autistas.  Quando diagnosticado o TEA, há variações sensiveis e necessárias em cada caso, que requer orientações e estratégias específicas.  No texto a seguir, Rafaela descreve as características principais que podem levar a procurar um profissional, para diferenciar de características pessoais de introversão.  Texto oportuno e importante, pois estatísticas demonstram a incidência de 1 caso a cada 68 pessoas em média na população de Transtorno de Espectro Autista, sendo o diagnóstico prioritariamente clínico - e não por exames genéticos ou de imagens.  Já a Síndrome de Down, tem incidência de 1 caso a cada 700 pessoas em média na população e seu diagnóstico é preciso, por análise genética.  Esta é a relevância de divulgarmos informações acessíveis para diagnóstico e atendimento especializado o quanto antes, que pode ajudar muito o paciente e sua família. 

Boa leitura!

Daniela Favaro

Sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Autora: Rafaela Rimério

TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado, de acordo com o DSM-5 por “déficits persistentes na comunicação social e interação social em múltiplos contextos, incluindo déficits na reciprocidade social, em comportamentos não verbais de comunicação usados para interação social e em habilidades para desenvolver, manter e compreender relacionamentos.”

O termo TEA, nome que se dá ao autismo atualmente, é uma nomenclatura que engloba uma ampla variação de sintomas e graus de gravidade, dificuldades e habilidades, tendo como base essa variação e conjunto de comportamentos visíveis é que podemos sugerir um diagnóstico.

 No passado, o autismo era relacionado com distúrbio do comportamento, alguns estudos apontavam até a possibilidade do distúrbio estar ligado à carência afetiva no relacionamento “mãe-bebê”, hoje em dia essa possibilidade foi descartada, os estudos apontam que as causas ainda são desconhecidas e podem ser multifatoriais ou seja, podem envolver fatores ambientais e fatores genéticos, neste último, temos o envolvimento de múltiplos genes por isso é tão difícil fazer o monitoramento, pois não se trata de “um diagnóstico certo” como acontece no caso da Síndrome de Down em que há a trissomia do cromossomo 21. Graças ao avanço das pesquisas na área, os métodos diagnósticos têm sido de extrema importância para avaliar precocemente as crianças. Pode-se identificar o TEA através dos diversos comportamentos atípicos que a criança apresentar. A gravidade/severidade dos sintomas varia de caso a caso. Os sintomas mais comuns incluem:

- Dificuldade de comunicação em que há atraso ou perda da fala, geralmente o bebê/criança autista se comunica de uma forma não verbal ou a fala não tem uma funcionalidade; - Dificuldade com interações sociais, ou seja, déficits na integração social, desde estabelecer contato visual até iniciar ou manter um diálogo. Pode-se citar também falta de empatia, dificuldade em ajustar o comportamento a uma determinada ocasião ou abordagem social atípica, também são extremamente sensíveis ao toque e aos sons; - Interesses obsessivos e atípicos por objetos ou assuntos e comportamentos repetitivos e rígidos como estereotipias (movimentos repetitivos com o corpo), não gostam de mudanças, são inflexíveis, muitas vezes apresentam rituais em suas atividades. De acordo com especialistas, é possível observar alterações no desenvolvimento já nos primeiros anos de vida, porém, precisamos ter muito cuidado pois não se pode dizer que algo é deficitário quando ainda está em desenvolvimento como no caso das habilidades das crianças. O atraso no desenvolvimento da fala é o fator que mais leva os pais a buscarem ajuda especializada.

Em comparação com o quadro de TEA nos casos de “autismo de alto funcionamento” como é denominado o antigo “Asperger” percebe-se que a memória dos indivíduos é privilegiada, muitos possuem alta habilidade em algum aspecto e a parte cognitiva e da linguagem não apresentam atraso, por outro lado, podem apresentar inflexibilidade do pensamento, comportamento rígido e grande resistência a mudanças em sua rotina ou hábitos. Observar essas características é de extrema importância no momento de realizar o diagnóstico, visto que as intervenções profissionais adequadas para cada caso dependerão de uma análise criteriosa do conjunto de comportamentos que caracterizam o quadro de TEA.

O diagnóstico precoce e diferencial evita conclusões equivocadas e possibilita um direcionamento mais individualizado e planejado de acordo com as peculiaridades de cada criança. Deste modo, pode-se criar um pilar de apoio entre profissionais, escola e família para que o desenvolvimento e a aprendizagem desta criança sejam menos afetados. O tratamento em centros especializados e equipe multidisciplinar, consiste em orientar a família e ajudar para que a inserção social da criança e a aquisição de sua autonomia seja estimulada. Com estimulação da linguagem, cognição e socialização, nas áreas de fonoaudiologia, terapia ocupacional, atividades pedagógicas, psicologia, entre outras, podemos estimular seu desenvolvimento e contribuir para que a rotina desta família seja mais funcional.

 

Para quem deseja saber mais, indicamos estes filmes e séries:

 Atypical (2017): Série original Netflix, está disponível desde agosto / 2017.  A primeira temporada conta a trama de um garoto de 18 anos com Síndrome de Asperger, dentro do espectro autista.  Roteiro inteligente, sensível e competente para trazer os manejos ambientais muitas vezes necessários à adaptação do portador de Asperger. 

 O Contador (2016): Ben Afleck é o protagonista deste filme de ação que mostra cenas do desenvolvimento desde sua infância, dramas familiares por conta de seu quadro e como desenvolveu suas atividades sendo um autista de alto funcionamento.

Rain Man (1988): Clássico sobre este tema, traz os protagonistas Dustin Hoffman e Tom Cruise vivenciando os dramas familiares em uma época em que o único tratamento era a internação em instituição especializada e o afastamento da convivência social e familiar. 

Outros filmes disponíveis no link:

http://autismo.institutopensi.org.br/noticias/19-filmes-que-trazem-o-autismo-e-o-asperger-preparados-para-assistir/

 

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