Atendimento psicológico de crianças pequenas - Ciclos - Espaço Terapêutico
Atendimento psicológico de crianças pequenas

Este texto de Natália Delmonde descreve detalhadamente os passos de decisão para a busca de ajuda profissional quando os filhos pequenos demonstram comportamentos ou dificuldades que geram sintomas.  Pontos importantes que o texto diferencia: 

A necessidade de se observar a intensidade e a frequência destas reações;

Diferenciar o que seja deficitário do que seja fase de desenvolvimento;

A proposta de atendimento baseada na psicologia do desenvolvimento.

Os elementos apresentados podem ajudar na tomada de decisão e busca adequada de orientações, fundamental nesta fase que significa o alicerce de hábitos e características estruturais do desenvolvimento cognitivo, emocional e social do ser humano.

Boa leitura!

Daniela Favaro

 

 

ATENDIMENTO PSICOLÓGICO DE CRIANÇAS PEQUENAS

Autora: Natália Rodrigues Delmonde

Muitos pais se perguntam qual é a idade certa para procurar ajuda psicoterápica para as crianças, quando e quais problemas deveriam fazer pais de crianças de 3 a 4 anos procurar a ajuda de um profissional.

Quando procurar ajuda?

Diferentemente de um adulto, que é capaz de expressar frustrações, medo, insegurança e tristeza verbalmente, a criança pode demonstrar que precisa de ajuda apresentando alterações em seu comportamento e até em sintomas físicos. Podemos observar algumas questões, compreendendo sempre que algumas mudanças são comuns, o que deve nos fazer ficar atentos é a frequência e intensidade que aparecem, sendo dois pontos importantes para prestarmos atenção:

Mudança de comportamento (exemplo uma criança muito ativa ficar mais passiva, ou o contrário), e

Distúrbios físicos (sono, alimentação e controle dos esfíncteres, quando já adquiridos).

 

Como o psicólogo age?

Cada vez mais ocorre a indicação por psicoterapia, fator correspondente a um grande avanço nessa área de tratamento, entretanto a ajuda que um psicólogo pode oferecer no caso das crianças muito pequenas, em um primeiro momento busca refletir sobre o que está acontecendo e realizar orientações com estratégias de ação junto à família e/ou escola – que são os ambientes que podem estar com dificuldades para lidar com os comportamentos desses pequenos.  

O formato de atendimento será traçado junto aos pais, de acordo com a descrição das necessidades, determinando a frequência que essas sessões de orientação acontecerão, os passos de intervenção no ambiente familiar ou escolar, com objetivo de uma ação coesa e coerente em linguagem que leve a uma nova maneira de olhar a criança e manejar reflexões ou combinados.

Na entrevista inicial (anamnese) com os pais, o profissional irá ponderar se há algum encaminhamento para avaliação médica necessária e o que é de sua competência.  Ao iniciar os atendimentos, o principal aspecto é que os pais se sintam acolhidos nas suas frustrações e culpas quanto às questões envolvidas no desenvolvimento do filho.  Pode parecer estranho usar a palavra culpa, mas é um fator nítido desde as primeiras conversas:  se a criança possui restrição alimentar, a mãe sente que está fazendo algo de inadequado.  Se a criança não dorme, os pais justificam com pesar tudo o que já tentaram e o que não conseguem modificar.  Se o problema é birra, com pesar contam os extremos que já tentaram, sem sucesso. 

Todos os detalhes são importantes para o profissional que, na orientação, alinhará com os pais:

Como é a dinâmica familiar: rotinas, hábitos, levantando possibilidades;

Se a linguagem estabelecida está funcionando: muitas vezes, ao adequarmos o formato da linguagem para a faixa etária, o resultado é imediato;

Contextualizar as fases de desenvolvimento infantil / características / necessidades/ estratégias.

Nas sessões seguintes, o acompanhamento sobre o que surtiu ou não resultado fornecem novas pistas para alinhamento de reflexões, estratégias e combinados. 

Quando falamos de orientação familiar, importante salientar que podem participar destas sessões pessoas que convivem na rotina da criança: avós, cuidadores, babás, além dos pais. 

Na orientação à escola, quando necessário, são analisados fatores ambientais e de estimulação, diferenciando reação comportamental individual do desenvolvimento cognitivo e fases em aquisição, traçando também estratégias, reflexões e combinados.

Mas a criança não vai para o atendimento?

Nesta idade, são raros os casos em que a criança precisa do acompanhamento periódico.  Em nossa experiência, estimamos que 80% tem resposta positiva nos primeiros três meses de orientação.  Nos 20% restantes, há os encaminhamentos para avaliação médica de alguns traços que podem estar ligados ao desenvolvimento orgânico neurológico ou outras áreas específicas.

Utilizamos também o recurso de realizar sessões de observação das crianças, em certos casos acompanhadas pelos pais, para que se desenvolva alguma estratégia especifica, ou observar reações ou níveis de compreensão de linguagem da criança. 

Diferentemente das crianças maiores, a criança ainda muito pequena não consegue estabelecer um diálogo concreto, não consegue expressar com autonomia suas ideias e sentimentos, porque ainda está adquirindo um vocabulário primário para se comunicar. Todos os sentimentos, situações e objetos em geral estão sendo nomeados a ela e isso se estabelece na rotina à qual ela pertence, o tempo e a constância que precisa para internalizar isso é grande e precisa de uma repetição diária, mesmo técnicas de ludoterapia (técnica de jogos, brincadeiras e desenhos usados com crianças nas sessões) alcançariam de forma parcial as questões trazidas pelos pais de crianças desta faixa etária.

Quando compreendemos os comportamentos e sintomas com base na psicologia do desenvolvimento, sempre temos o cuidado de desenvolver junto aos pais que não podemos dizer ser deficiente o que ainda está em desenvolvimento – pois é muito tênue a diferença entre traçar características para as estimulações necessárias e rotularmos um quadro de um transtorno.  Este cuidado é precioso, pois o fato mais marcante nas crianças é a velocidade de reação a estratégias e linguagens adequadas.  As crianças pequenas, justamente por ainda não racionalizarem o que está acontecendo, manifestam em seus comportamentos uma condensação de tudo o que estão sentindo, em condutas que chamamos acting out– ou seja, a criança atua no ambiente se está caótica, agitada, angustiada, triste.  Sua resposta é imediata se o ambiente consegue compreender / acolher e conter estes sentimentos / propor compreensões e combinados. 

O principal ponto das mudanças é saber regular as expectativas dos pais em relação aos filhos.  Muitas vezes precisamos compreender que a criança tem seu tempo e suas necessidades, e quando pequenas ainda externalizam muitos dos problemas e questões dos próprios pais e da dinâmica da casa. Quando se agitam demais, fazem birra demais precisamos sim nos certificar se a nossa maneira de lidar com a situação está adequada, nossa fala está assertiva, se sabemos ouvir a criança, mas também precisamos questionar se algo está acontecendo com o adulto (os pais), pois os problemas destes afetam o mundo da criança e a maneira como ela vai se expressar.   

Em caso de dúvidas, agende uma sessão de anamnese. 

Contato

Rua Lourenço Dias, 735, Centro, Araras/SP - CEP: 13600-180

(19) 3542-0444 / (19) 99240-9377

ciclos_araras@hotmail.com

Ciclos no Facebook