A fusão mãe-bebê - tão necessária e tão difícil! - Ciclos - Espaço Terapêutico
A fusão mãe-bebê - tão necessária e tão difícil!

Este texto completa o tema da maternidade consciente. Natália Delmonde descreve processos intensos, reais e significativos da relação mãe-bebê desde o parto até as compreensões da diferenciação nos primeiros meses de vida. O início da relação com o bebê tem caráter de fusão - Melanie Klein descreve que o bebê sente até os quatro meses que ele e a mãe são um ser único, ocorrendo a partir deste momento processos importantes no psiquismo infantil. Dar-se conta desta realidade de cisão com a mãe é uma dor de crescimento que se repetirá em outros contextos nos ciclos da vida. As mães sentem-se muitas vezes perdidas, sobrecarregadas ou culpadas por partes deste processo. A informação é o melhor caminho para conscientizar-se do que é necessário para esta relação ser simples e saudável.

Boa Leitura!
Daniela Favaro

A fusão mãe-bebê: tão necessária e tão difícil

A relação mãe-bebê se inicia na gravidez, mas é apenas com a nascimento desse bebê real que conseguirá, com a mãe real, construir e estabelecer vínculo. É nesse período inicial dos três primeiros meses que esta relação desenvolve o estabelecimento da fusão emocional. Winnicott, um autor da psicologia infantil, define ser esta a preocupação materna primária: o estado de perder suas próprias necessidades e identidade, em prol dos cuidados e bem-estar do bebê, o fator que possibilita que a mãe ligue-se sensivelmente ao bebê, adaptando-se delicadamente ao atendimento das necessidades do recém-nascido.

A fusão com o bebê é extremamente importante, porque faz com que a mãe possibilite a sobrevivência do recém-nascido – dedicando-se exclusivamente para sua alimentação, higiene e saúde. Apenas assim a criança se desenvolve fisicamente e, mais do que isso, nesses cuidados básicos a mãe proporciona proteção, contenção e contato corporal – aspectos extremamente importantes para os contornos emocionais e personalidade dessa criança.

Os Bebês são seres fusionais, que para "ser/existir" precisam inicialmente estabelecer uma ligação íntima com o outro, este ser/existir ligado ao outro é um caminho relativamente longo de construção psíquica em direção ao eu sou separado da mãe.

Esse Estado Fusional vai diminuindo conforme a criança cresce e amadurece seu interior psíquico e emocional – mas crianças que foram levadas a suportar grandes separações quando muito pequenas, demoram mais para sair dessas relações fusionais e requerem mais dedicação e paciência para algumas questões.

Pensando não só na dedicação extenuante de cuidar do bebê, mas também nas necessidades da mulher moderna, aqui vão algumas dicas para facilitar a conexão com o bebê:

» Esqueça o relógio;

» Use carregadores, porta-bebês, almofadas para manter-se confortável e permitir que o bebê fique em contato com o corpo materno, sem tanto esforço físico;

» Delegue as tarefas possíveis a outras pessoas (como os afazeres domésticos...);

» Imagine-se de férias e dedique-se com prazer;

» Durma com o bebê (não necessariamente à noite);

» Passe momentos a sós com o bebê, sem outras crianças por perto ou os olhares de outros adultos;

» Pense que em cada momento o bebê não está em contato com o corpo materno (fusão experimentada durante a gestação), mas após o parto está em experiência de não contato/ de não ser;

» Converse com o bebê, lhe diga com palavras simples o que está acontecendo e como está se sentindo, mesmo que seja difícil e doloroso;

» Quando retomar suas atividades profissionais após a licença maternidade: Quando chegar em casa, após o trabalho, vista-se de maneira confortável e dedique um tempo ao bebê;

» Após o trabalho permita que o bebê recupere o "tempo perdido";

» Preserve sua intimidade com o bebê.

Segundo WINNICOTT, a função materna SATISFATORIAMENTE BOA acolhe INCONDICIONALMENTE as necessidades físicas e emocionais deste bebê após o nascimento e introduz CONFORME A CRIANÇA AGUENTA E PRECISA as frustrações... A mãe que estabelece uma relação saudável com seus filhos também é aquela que se faz desnecessária, que sabe através desse refinar constante da percepção do seu bebê o que ele precisa e o que não precisa mais – sem culpas, as mães podem sim introduzir pequenas esperas ao bebê a fim de que possa terminar uma refeição, tomar um banho com calma, descansar após noites mal dormidas. Olhar e ajustar esse olhar fará parte de todo o processo de cuidado e educação dos filhos.

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