Doula, a mulher que serve - Ciclos - Espaço Terapêutico
Doula, a mulher que serve

No Brasil precisamos resgatar a cultura sobre a viabilidade do parto natural. Somos o país que mais executa partos cirúrgicos (cesárea), mesmo quando não há indicação de necessidade. Todas as pessoas que possuem formação na área de saúde estudam o quanto o parto natural ou normal é mais saudável para a mãe e o bebê. O medo do parto hoje, em nosso país, tem ligação direta com uma construção cultural que ocorreu nos últimos 40 anos e precisa de informações para resgatarmos esta prática. O profissional habilitado em Doula é fundamental para a humanização do parto, fornecendo informações, acompanhamento e apoio a todas as dúvidas e necessidades. Conheça a atuação deste profissional neste texto de nossa educadora perinatal, a enfermeira Marcela Corrêa.

Boa Leitura!
Daniela Favaro

Doula, a mulher que serve.

A palavra "Doula" vem do grego "mulher que serve". A palavra vem sendo utilizada a partir do inicio da década de 90 para designar aquelas mulheres capacitadas para oferecer apoio continuado a outras mulheres, (e aos seus companheiros e/ou outros familiares) proporcionando conforto físico, apoio emocional e suporte cognitivo antes, durante e após o nascimento de seus filhos.

Antigamente este apoio era realizado pelas mulheres da família, mãe, irmãs e tias. Elas acompanhavam o parto com a parteira e ajudavam no pós-parto, nos afazeres domésticos e nos primeiros cuidados com o bebê para que a mulher cumprisse o "resguardo".

Com o passar do tempo as famílias foram ficando menores e neste mesmo contexto a medicina aflorava e o parto foi deixando de ser um evento domiciliar e íntimo para ser um evento hospitalar e médico. Conforme isto foi acontecendo, as mulheres foram perdendo o contato com a sabedoria das mulheres da família e o parto foi se tornando algo distante e desconhecido, causando medo e insegurança.

Os papéis dos profissionais do parto na atualidade estão bem definidos: o médico se ocupa com aspectos técnicos do parto, as enfermeiras com os cuidados também técnicos, os auxiliares e técnicos de enfermagem para que as prescrições médicas e de enfermagem sejam cumpridas e o pediatra cuida do bebê. E quem cuida do bem estar físico e emocional da mãe que está com ansiosa, com medo, insegura, em um ambiente impessoal, cheio de gente atarefada, ocupados com as questões técnicas? Este profissional é a Doula! Ela se encarregará de suprir essa demanda por emoção e afeto, que não cabe a nenhum outro profissional dentro do ambiente hospitalar.

Mas o que a Doula faz na prática?

1) No pré parto:

» Orienta a mulher sobre os tipos de parto;

» Oferece informação de qualidade para a tomada de decisão;

Orienta o planejamento do parto através do plano de parto;

» Ensina técnicas de relaxamento, respiração e movimentação para auxilio ao trabalho de parto, assim como uso de técnicas não farmacológicas para maior conforto da parturiente;

» Prepara a mulher para o parto ativo e para os primeiros cuidados pós-parto.

2) No trabalho de parto e parto:

» Além do apoio emocional, deve fornecer informações à parturiente sobre todo o desenrolar do trabalho de parto e parto, intervenções e procedimentos necessários, para que a mulher possa participar de fato das decisões acerca das condutas a serem tomadas durante este período.

» Orienta a mulher a assumir a posição que mais lhe agrade durante as contrações;

» Favorece a manutenção de um ambiente tranquilo e acolhedor, com silêncio e privacidade;

» Auxilia na utilização de técnicas respiratórias, massagens e banhos mornos;

» Orienta a mulher sobre os métodos para o alívio da dor que podem ser utilizados, se necessários;

» Estimula a participação do marido ou companheiro em todo o processo;

» Apóia e orienta a mulher durante todo o período expulsivo, incluindo a possibilidade da liberdade de escolha quanto à posição a ser adotada

3) No pós-parto:

» Informa e orienta a mulher quanto à dequitação e ao clampeamento do cordão;

» Estimula a colocação do recém-nascido sobre o abdome materno, num contato pele a pele, estimulando o início da sucção ao peito materno e favorecendo o vínculo afetivo mãe-filho;

» Posteriormente, informa e orienta também quanto ao início e manutenção do aleitamento materno.

Todas estas atividades, além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres que dão à luz, parecem ter uma influência direta e positiva sobre a saúde das mulheres e dos recém-nascidos. Devem, portanto, ser estimuladas em todas as situações possíveis. Diversos estudos sugerem que o acompanhamento da parturiente pela Doula reduz a duração do trabalho de parto, o uso de medicações para alívio da dor e o número de partos operatórios e depressão neonatal. Também apresentam menos depressão pós-parto e amamentam seus recém-nascidos nas primeiras seis semanas de vida.

Diante disso o percebe-se que a atuação da Doula beneficia não só a mulher como o bebê, favorecendo um parto natural, saudável e fortalecendo o vínculo entre os membros da nova família.

Autora: Marcela Pelegrini Corrêa Silva
Enfermeira, Educadora Perinatal, Consultora em Amamentação e Doula.

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