Introdução Alimentar: Formação do hábito alimentar e respeito à autonomia dos bebês - Ciclos - Espaço Terapêutico
Introdução Alimentar: Formação do hábito alimentar e respeito à autonomia dos bebês

Autora: Marcela Pelegrini Corrêa Silva
Enfermeira, Educadora Perinatal, Consultora em Amamentação e Doula.

A psicologia do desenvolvimento informa, acompanha e orienta profissionais e pais em diversas fases dos filhos. A educação perinatal tem a mesma função a partir da compreensão da interação mãe-bebê nas fases de implantação de rotinas, hábitos e desenvolvimentos. Um dos temas que mais angustiam os pais refere-se à alimentação. Seja por dificuldade em estabelecer uma rotina alimentar, excesso de seletividade por parte da criança em algumas fases, ou as regras muito diversificadas em ambientes (casa, avós, escola, etc), torna-se um tema que se amplia além das orientações do pediatra. Compreender os elementos envolvidos para pensar em estratégias que facilitem o desenvolvimento dos hábitos alimentares são os componentes deste texto escrito a quatro mãos: Marcela (enfermeira e educadora perinatal) e Natália (psicóloga clínica e ludoterapeuta).

Boa Leitura!
Daniela Favaro

Introdução Alimentar: Formação do hábito alimentar e respeito à autonomia dos bebês

A alimentação dos filhos é uma dúvida constante entre os pais, questões sobre o que o filho deve comer, quando e quanto, são os pontos que mais afligem. O problema se torna ainda maior quando os pais se deparam com a seletividade e até mesmo a rejeição a novos alimentos (neofobia). Quando este comportamento provoca alterações de peso que fazem aumentar ainda mais as preocupações, essas situações acabam levando as famílias a inserir suplementos e estimulantes de apetite na refeição da criança - mas será que isso é realmente necessário? Então, vamos repensar o que é alimentação e como a família se comporta nesse contexto, considerando alguns pontos importantes.

A Aprendizagem

Os bebês, desde o útero, já tem contato com sabores e, durante a Amamentação, a experiência gustativa aumenta até chegar à Introdução Alimentar. Durante essa fase, o bebê está em pleno desenvolvimento de suas habilidades táteis, visuais e gustativas, tudo o que ele pega vai direto à boca e essa habilidade deve ser aproveitada durante a introdução alimentar, pois é neste momento que devemos apresentar uma variedade de alimentos com cores, sabores e texturas variadas, sempre considerando a qualidade nutricional. Após a apresentação dos alimentos, o bebê pode gostar ou recusar aquele alimento, o que não significa que esse tipo deve ser excluído do repertório alimentar, quando recomendamos apresentar o alimento de 12 a 15 vezes para que o bebê possa realmente apreender aquele novo sabor, e essa situação é um dos principais motivos de desistência dos pais – a introdução à alimentação requer tempo e paciência, pois é um processo repetitivo!

Contexto social

Um fator importante que pode ser estimulado na introdução alimentar é a interação do bebê com a rotina já estabelecida da casa – a hora das refeições. O bebê pode ser colocado à mesa assim que possuir a habilidade de sentar-se, e para que consiga associar os sabores e estabelecer uma relação afetiva com processo alimentar – que compreende desde sentir fome, procura da saciedade, o hábito de sentar-se à mesa, e alimentar-se bem - o momento da refeição deve ser agradável e sem interferências externas, a fim de que a alimentação tenha um enfoque positivo. A interação positiva, a não coerção e a não indução aumentam as chances de uma introdução alimentar bem sucedida. Caso isso não seja possível em todas as refeições, estabeleça em uma delas a possibilidade de fazer isso com seu bebê, os resultados para uma futura alimentação saudável iniciam-se já nos primeiros meses vida.

Além disso, os bebês aprendem por imitação: ao verem os pais e irmãos alimentando-se, ele também irá comer, não necessariamente como os pais imaginam, pois normalmente a quantidade de alimentos oferecida pelos pais é superior às necessidades do bebê, devendo os pais saberem que bebês possuem, desde a amamentação, autocontrole na ingesta nutricional diária, tendo por base sua necessidade nutricional e o mecanismo de fome e saciedade, assim devem ser encorajados a criar seus próprios hábitos alimentares e tornarem-se independentes.

Desenvolvimento infantil

A necessidade diária de alimentos está diretamente relacionada com as fases de desenvolvimentos do bebê, os períodos de picos de crescimento e saltos de desenvolvimento podem demandar uma necessidade nutricional maior, assim como os outros períodos pode-se perceber uma diminuição da ingestão. Então, os pais devem estar atentos a essas demandas e como atendê-las.

Considerando as questões de aprendizagem, contexto familiar, desenvolvimento e habilidades do bebê, os pais têm uma gama maior de recursos para atuar como facilitadores na introdução alimentar dos filhos, sem interferências prejudiciais e desnecessárias. O principal ponto é estabelecer uma percepção sobre os hábitos que o bebê desenvolve por si mesmo e respeitar o ritmo de cada criança. A introdução alimentar que tem estes pontos como premissa, estimula a criança a se perceber, a estabelecer com o ambiente e suas tarefas uma relação saudável e de autonomia.

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